domingo, 14 de outubro de 2012

A nova TSU


Há nomes que por mais que a gente dê voltas à cabeça, não consegue perceber o porquê da sua origem. Em concreto refiro-me à famosa Taxa Social Única (TSU).

Se é única, então porque é que os patrões pagam uma e os trabalhadores pagam outra? Logo aqui há qualquer coisa que não bate certo.

Como se isto não bastasse, acresce ainda o facto de, por sugestão da CIP, no Orçamente do Estado de 2013, para quem exporta e dá trabalho a desempregados de longa duração, vai beneficiar de uma nova TSU. Neste caso, ao contrário da primeira versão, quem contribui para esta nova taxa, não são os trabalhadores mas sim os fumadores, por via do aumento, em 30%, do imposto do tabaco.

Portando, quer queiramos quer não, Taxa será certamente, Social talvez seja, Única, é uma pura invenção.

Determinou-se então distingui-las em pelo menos duas Taxas: Uma delas chamada a Taxa Social Antes do Orçamento (TSAO), e a outra designada por Taxa Social Após o Orçamento(TSAO).

Como, em termos de iniciais vai dar no mesmo, decidiu-se então designa-las por TSAO antiga e TSAO moderna.

Quando "eles" tentaram mexer na TSAO antiga, aquilo deu um burburinho dos diabos.

Antes de haver qualquer mexida, o pagode vivia tranquilo, patrões e empregados, cada um tratava da sua TSAO e a coisa funcionava às mil maravilhas.

Quando  Passos Coelho, Vítor Gaspar, António Borges e Braga de Macedo, começaram com trocas e baldrocas a aumentar a TSAO duns e diminuir a TSAO doutros, o País explodiu de tal maneira que aquilo parecia um barril de pólvora a arder, regado com gasolina.

Também não era para menos, há coisas que pela sua delicadeza, por mais manso e bondoso que um povo seja, não pode deixar de se revoltar.

Assim, o País assistiu a uma manifestação de tal envergadura que superou qualquer outra até então existente em Portugal.

Desta vez não foram aos milhares nem às dezenas ou centenas de milhares, foram mais de um milhão e quinhentos mil portugueses que vieram para a rua. Aquelas medidas ultrapassavam todos os limites e o povo não podia tolerar tal afronta.

Nessa grande manifestação, uma das palavras de ordem que mais se ouvia era:

OUVE \ PATRÃO \ NÃO HÁ TROCAS \  NA TSAO.

Havia também outra que, talvez inspirada numa frase muito Portuguesa, embora mais pronunciada no urinóis, dizia assim:

CADA UM \ COM A SUA \ O POVO \ ESTÁ NA RUA.

Em relação à TSAO moderna, aquela que vai ser suportada pelo aumento do imposto do tabaco, também aqui se nota uma grande injustiça.

Como sabemos, os fumadores têm sido as pessoas mais perseguidas e mal tratadas deste País.

Primeiro foram pribidos de fumar nos transportes públicos, depois, no local de trabalho se querem fumar, é vê-los que nem uns desalmados à porta das empresas, a chupar o cigarrito à pressa para não ultrapassarem o intervalo dos três minutos que lhe concedem para o efeito, em seguida foram corridos dos cafés e restaurantes, finalmente levam com mais trinta por cento de imposto para alimentar a TSAO dos outros.

Paulo Portas, sempre atento, defensor das minorias e contrário à subida de impostos, quando soube de tal medida, entrou logo em acção exigindo uma reunião com o Primeiro Ministro e o Ministro das Finanças. Aí, carrancudo e com cara de poucos amigos, dizia que aquilo era inaceitável que os fumadores não podiam ser tratados daquela forma. Passos Coelho e Vítor Gaspar que riam que nem uns perdidos, argumentavam: Oh homem  o que é que quer que a gente faça?, quem manda nisto é a TROIKA, a decisão já está tomada, não há nada a fazer.

Não obstante todas aquelas adversidades e mesmo sabendo que o aumento do imposto era para manter, Paulo Portas conseguiu uma meia vitoria para os fumadores. E foi ele próprio que os informou dizendo: Ao menos, como medida compensatória, os fumadores a partir de agora passam a deixar de ver nos maços de tabaco aquela maldita e assustadora frase que diz: "FUMAR MATA", em sua substituição passará a ser inscrita a seguinte frase:
"FUMAR AJUDA A TSAO".


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