quinta-feira, 2 de agosto de 2012


De Catroga para Catroga.

Maldita noite de insónia, Catroga! Não consigo adormecer... sempre a pensar na maldita entrevista que amanhã me comprometi a dar. Oh Catroga, com a tua experiência, com a tua "rodagem" no mundo da política, na área dos negócios, nos debates, etc, etc, qual é o problema em dares mais uma entrevista? O problema, meu amigo Catroga é que eu apostava contigo, tudo aquilo que tu estejas disposto a apostar, em como o malandro daquele entrevistador, amanhã, me vai confrontar com as rendas excessivas na EDP. Maldita hora em que eu falei das rendas excessivas. Mas o que é que tu queres?  naquela altura o Passos estava a dar os primeiros passos, o Sócrates estava na mó de baixo, a comunicação social fervilhava, a Troika estava às portas de Lisboa e eu nessa altura não tinha mãos a medir. Toda a comunicação social me questionava sobre a desgraça em que o País se encontrava, fui conselheiro para as negociações entre o PSD e a Troika, enfim, eu era uma verdadeira estrela. Naquele contexto como é que tu achas que eu podia deixar de falar das rendas excessivas.

Pois é, caro Catroga, como eu percebo a tua insónia. Agora que estás na cadeira do poder daquela empresa que, ainda por cima, representa a mãe de todas as rendas excessivas, quando o tema vier à baila, só te resta dizer que afinal não haviam rendas excessivas. Ah...Isso é fácil de dizer amigo Catroga... mas não te esqueças que essas minhas afirmações ainda estão fresquinhas, pouco mais têm que um ano e os gajos da televisões são capazes de apresentar horas e horas de gravações onde eu falava dessas malditas rendas excessivas. Ficava desacreditado num ápice!

Pronto, então não te resta outra alternativa que não seja a de concordares com as tais rendas excessivas.

Também não é fácil ir por aí, meu amigo, se eu concordar com essas malditas rendas excessivas, a bronca ainda pode ser maior. No dia seguinte vou ter à perna o chinoca das TRÊS GARGANTAS que me vai logo dizer: Catloga... Catloga... cuidado com essa galganta, olha que tu agora tens que zelar pelos nossos intlesses.

Bolas... estás mesmo metido num grande sarilho!

Mas espera!!! Acho que se está a fazer luz nesta cabecinha. Se não podes dizer que sim e também não podes dizer que não, então só te resta dizer: Talvez. Por outro lado, não te esqueças que quando as rendas excessivas foram negociadas, aquilo também pertencia ao Estado. Portanto a tua única saída é dizeres: "Se havia rendas excessivas, então o prejuízo por parte do Estado, é compensado pelo lucro que o Estado encaixou, enquanto accionista da EDP"

Estou a perceber amigo Catroga, é assim quase como se um marido infiel cometesse adultério com a própria esposa, e vai daí, fica tudo em casa. Exactamente!!! Eureka, fez-se luz.

A estratégia parece-me quase perfeita, mas há aqui ainda um  pequeno problema. Qual é o problema Amigo Catroga?

Se o Estado ficou prejudicado em 100% na negociata, e, enquanto accionista, só beneficiou em 20%, que era a percentagem de acções que esse mesmo Estado detinha na altura, então para onde é que foram os outros 80%? Pois é... não me tinha lembrado desse detalhe. Bem, mas isso já são pormenores sobre os quais ninguém te vai perguntar, não te esqueças que o Português nunca aprofunda muito estes temas, o que interessa à malta são as parangonas, as highlits, as buzzwords, enfim, o que importa é não ficares calado no meio da entrevista. Portanto, toca a dormir descansado que, com esta artimanha, amanhã a entrevista vai ser um sucesso.

E assim, Catroga, pode finalmente dormir o sono dos justos.

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